Sustentabilidade Ambientes Construídos

Edifícios verdes

A dinâmica do desenvolvimento sustentável na década de 1990 ganhou força com a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro (1992), que desafiou vários setores e agentes, como os municípios, com a publicação da Agenda 21 Local, e os setores da construção civil e imobiliário, que procuravam progressivamente a sustentabilidade.

A definição mais amplamente aceite foi dada por Charles Kibert em 1994, que define a construção sustentável (na perspetiva ecológica, conhecida como verde) como “a criação e gestão responsável de um ambiente construído saudável, tendo em conta os princípios ecológicos (para evitar danos ambientais) e a utilização eficiente dos recursos” (Kibert, 1994).

A construção sustentável, também conhecida como construção verde, tem como objetivo integrar os seres humanos na natureza e utilizar os recursos naturais. Todos eles preservam o ambiente e procuram soluções plausíveis. A construção sustentável distingue-se por ser um produto da sociedade tecnológica moderna, utilizando ou não materiais naturais e/ou produtos provenientes da reciclagem de resíduos, destacando-se a importância de uma abordagem holística, integrada e prática, numa perspetiva interdisciplinar, como forma eficaz de implementar estes princípios.

Ciclo de vida e diferentes fases

A construção sustentável representa uma nova forma de considerar o ciclo de vida dos edifícios e ambientes construídos, desde as fases de projeto, construção e operação até à desconstrução/demolição. Numa perspetiva tradicional da construção, as preocupações centrar-se-iam na qualidade do produto, no tempo despendido e nos custos associados.

No entanto, a construção sustentável vem juntar-se a estas preocupações ambientais relacionadas com o consumo de recursos, as emissões de poluentes, a saúde, o conforto e a biodiversidade, constituindo um novo paradigma cujo principal desafio é contribuir para a qualidade de vida, o desenvolvimento económico e a equidade social (Agenda 21).

No final do século XX, caminhar para a sustentabilidade passa por reposicionar as dimensões ambiental, sociais e económicas na construção de forma integrada, partindo da fase inicial e assumindo-as estrategicamente. Assim, entende-se que as principais características das construções sustentáveis incluem uma localização e integração ambiental adequadas, uma elevada eficiência no consumo de recursos (água, energia, materiais e alimentos), uma redução de emissões e impactos, um conforto adequado, uma elevada durabilidade e acessibilidade de qualidade garantida, uma gestão ambiental e sustentável consistente e uma procura proativa de inovação.

Diferentes perspetivas e interpretações

A construção sustentável tem diferentes abordagens e prioridades nos diferentes países. Alguns países identificam os aspetos económicos, sociais e culturais como parte do conceito de construção sustentável, sendo que apenas alguns países os consideram essenciais. A abordagem da construção sustentável deve abordar os problemas da pobreza e do subdesenvolvimento ou da equidade social.

A importância destes vários aspetos está associada a características como a densidade populacional, a demografia, a economia nacional, o nível de vida, a geografia, os riscos naturais e humanos, a disponibilidade de energia, água e alimentos, a estrutura do sector da construção ou a qualidade das construções existentes, para completar a interpretação nacional da definição considerada e das respetivas abordagens.

Abordagem integrada e procura da sustentabilidade

Os elementos-chave na definição da construção sustentável são a redução da utilização de fontes de energia e do esgotamento dos recursos minerais, a conservação das áreas naturais e da biodiversidade, a manutenção da qualidade do ambiente e a gestão da saúde. Uma explicação para as diferenças nas prioridades assumidas nos diferentes países em relação à construção sustentável pode estar enraizada no nível de desenvolvimento e na perceção dos problemas mais importantes nesses países. A abordagem amplia e liga a construção e os edifícios com infraestruturas e zonas urbanas na lógica de um ambiente construído sustentável.

Consideração do ciclo de vida

Os produtos, serviços e atividades têm efeitos ambientais (impactes) que não se limitam à sua utilização, mas abrangem todo o seu ciclo de vida. Especificamente, os materiais extraídos da natureza sofrem impactos desta atividade. São transformados, embalados, transportados e, por vezes, enviados para o seu destino no final da utilização, ocorrendo impactos nestas fases.
Por vezes, alguns impactes ambientais críticos (consumo, emissões ou outros) ocorrem na utilização/consumo de energia e materiais. Ainda assim, apenas em alguns casos se verifica que o seu efeito mais significativo ocorre durante a extração e produção de materiais ou no final da sua vida útil. Era essencial considerar o ciclo de vida e a sua avaliação. A avaliação do ciclo de vida (ACV) consiste na análise e avaliação dos impactos da extração, transporte, produção, montagem no local, utilização e fim de vida útil.
As principais fases da estrutura de avaliação da ACV, tal como definidas na norma ISO 14040, são as quatro fases seguintes: (1) objetivo e âmbito, (2) inventário, (3) avaliação e (4) revisão e interpretação. Os resultados identificarão as fases do ciclo de vida com indicadores de maior e menor impacto e os contributos vitais relevantes. Esta informação poderá ser utilizada para diferentes aplicações, como a seleção de materiais, o desenvolvimento ou melhoria de produtos, o planeamento estratégico. A 4Rs desenvolve estudos de avaliação de ciclo de vida integrais ou sobre fatores ambientais específicos, como por exemplo carbono.